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 Música barroca contemporânea                                                        

Tell a Friend

                                

 

                 Alfredo Votta Junior              

                              Setembro, 2008

Preciso confessar que fico um pouco intrigado quando vejo partituras de compositores vivos, quase sempre jovens, que escrevem música barroca. Não que eu tenha a ingenuidade de achar que algum tipo de música não esteja agora mesmo sendo escrito em algum lugar do mundo. Ou melhor, até existe, mas não é música barroca.

“Intrigado” talvez não seja a melhor palavra, mas não encontro outra, o que é típico desta sensação de não saber o que falar  e é bem isso, não sei o que falar. A única conclusão a que cheguei é que se esses compositores se realizam escrevendo esta música e têm em sua vida um ambiente, um contexto e oportunidade de utilizar estas obras, o círculo está fechado.

Quer dizer que eu reprovaria alguém que escreve música barroca à toa e para a gaveta? De jeito nenhum, principalmente porque não sou ninguém para reprovar quem seja. Mas, sinceramente, preocupo-me um pouco com os compositores que querem escrever música barroca e eventualmente não encontrem espaço nenhum para o seu trabalho – especialmente se ele for bom.

Já vi partituras de música bem ruim, mas também vi coisas bem boas, algumas delas escritas por gente muito jovem. Outro dia vi uma suíte para viola da gamba composta por um menino de menos de 20 anos. Era natural e muito bem escrita.

É fato também que existe toda uma comunidade de música barroca (ou antiga em geral) muito presente nos sites de partituras descarregadas de graça. Nesses sites não demora muito a aparecerem obras de gente viva que escreve música barroca embora apareçam também composições de gente viva que escreve em todo tipo de outras línguas musicais. Por isso é curioso ver um desses sites apresentar um grande número de autores barrocos, inclusive os menos conhecidos, ao lado de Rzewski.

Assim, mais uma vez, a música barroca se propaga, como se seu sucesso já não fosse grande (e merecido, eu entendo), não só por suas próprias qualidades mas também pela disponibilidade de um imenso repertório em domínio público. Enquanto isso, tantas coisas boas do século XX continuam na prisão, com acesso dificultado, por ainda estarem em validade direitos autorais que inibem o conhecimento da obras e também a sua execução mais livre.

Da minha parte, o direito autoral a que não renuncio é o crédito à autoria. Obviamente não quero ver meu trabalho atribuído a outra pessoa. No mais, não vejo motivos para grandes restrições.

* De volta à música barroca atual, não cito nomes porque conheço poucos e não os guardo tão bem. Mas estão soltos pela internet, especialmente no Icking e no IMSLP. (Leia outros artigos do autor em: http://www.alvotta.net).         


Morte da música clássica                                    imageCAHSELX2

                    Alfredo Votta Junior

                         Setembro, 2008

Leio em alguns blogs diferentes modos de entender a resposta à questão “a música clássica está morrendo?”. Uma variante da pergunta é “a música clássica está morta?”.   Há muito o que dizer antes mesmo de começar a responder. Primeiro, que essas perguntas pressupõem aquela noção mais popular de “música clássica” como sendo toda a música erudita, de concerto, enfim, essas coisas. Assim, Vivaldi é clássico, Bach é clássico, Chopin. Não é a noção mais exata de que música clássica é aquela do período em torno de 1750 a 1800, talvez um pouco antes, o que põe mais especificamente Haydn, Mozart e Beethoven como realmente “clássicos”. Superada essa questão, a expressão “música clássica” também é usada em outro sentido abrangente, diferente daquele primeiro: opõe-se “música clássica” à “música moderna” ou “contemporânea”. Música clássica é aquela de antes do século XX, em geral – assim supõe esta noção. E é neste sentido que muitos falam da música clássica como morta ou prestes a morrer. Não sou indicado para responder a uma questão dessas. Recuso-me a dar como mortas coisas que à maioria das pessoas parecem superadas; ainda que fosse o único, e sei que não sou. Nunca ouvirão de mim que o latim é língua morta. Nunca ouvirão de mim que a música clássica, seja qual for, é morta. Enquanto houver registros das coisas, estão tecnicamente vivas para mim. Então, alguém poderia dizer, trata-se do conceito de “vida”. Sim, é isso mesmo. O crítico que li prevendo a morte da música clássica escreve que ela continuará existindo, sendo tocada e estudada, mas não do jeito que é hoje. Ah, sim; para mim esse é um conceito estranho de morte...................
.............quer saber mais? acesse www.alvotta.net  
                         


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